A história do Dobermann, apesar de envolta de mistérios, é,
antes de tudo, um fascinante enredo: um enredo porque lidar com qualquer tema
histórico, e especialmente com uma raça específica de cão, sempre desperta
curiosidade; fascinante porque, traçando os ancestrais de um cão, os resultados
podem ser educacionais e favorecem a elaboração e programas corretos de
criação. Trata-se de uma raça bastante recente criada na alemanha em 1860. Seu
criador: Louis Dobermann, um coletor de impostos e taxas, amante de cães,
principalmente de animais agressivos, utilizou métodos planejados para chegar
ao resultado final de sua criação.
Cansado de ser assaltado por ter que atravessar lugares
infestados por bandidos para cumprir seu trabalho. Estudou durante toda a sua vida
para selecionar as várias raças necessárias para produzir o seu cão de guarda
ideal. Sem dúvidas, visava um animal de uma estrutura tal que afastasse os
intrusos e agisse como ificiente guarda. Também preferia cães de pelagem curta
e uniforme, que dispensasse maiores cuidades, e acima de tudo, devia visar
estamina, inteligência e sentido de alerta, de modo que, como seu companheiro,
pudesse acompanhá-lo nas muitas horas exigidas por seu trabalho. Naquela época,
exisia o Pinscher alemão, que era, de acordo com fotos, um cão relativamente
difícil de se descrever. Contudo, o Pinscher tinha a reputação de ser agressivo
e alerta, e foi em torno desta raça que Luís Dobermann edificou sua linha de
sangue.
O Rottweiller, que as pessoas conhecem como um cão maciço,
sólido, famoso por sua estamina e força de rastreio, também foi introduzido na
linhagem, e ainda hoje em dia vemos, ocasionalmente, alguns Dobermanns com
aquela pelagem ligeiramente ondulada, herdada do rottweiller. O fato é,
contudo, que o Rottweiller ajudou muito o Dobermann a chegar ao que é. Os
aficionados, que trabalham seus cães, devem apreciar profundamente o raciocínio
de Luís ao decidir introduzir o sangue de um animal tão inteligente na sua
linhagem.
Atualmente, a raça é conhecida apenas como
"Dobermann", ela foi até 1957, conhecida e registrada em vários
países como "Dobermann Pinscher". O The Kennel Club autorizou a
retirada da palavra "Pinscher" quando ficou provado que sua tradução
literal do alemão significa "Terrier", a cujo tipo de cão os
Dobermanns de hoje não se parecem ou encaixam de modo algum. É unanimamente
aceito que o Manchester Terrier, que àquela época provavelmente era maior que
os exemplares que vemos hoje, também foi utilizado na evolução da raça
Dobermann, conferindo a pelagem curta e brilhante com as marcações ferrugens.
Sem dúvida alguma, o sangue do Manchester Terrier contribuiu para o refinamento
e elegância de linhas. Foi introduzido o sangue do cão francês Beauceron, que
contribuiu para o tamanho e a cor. O Beauceron, ou cão de Beauce, que é um cão
de guarda alerta, sólido e distinto.
Sobre os estudos de Fred Curnow, está convencido de que o
Pointer inglês ou alemão (não vem ao caso), também foi utilizado, quando Luís
Dobermann estava vagarosamente produzindo o seu ideal
Não há dúvidas que Luís, apesar de satisfeito com o
temperamento que criara seus cães, não estava exatamente encantado com a falta
de estilo que todo amante de cães admira, e é razoável acrediar, vendo o
gracioso e nobre animal que temos atualmente, que algum refinamento lhe foi
adicionado por Luís Dobermann ou, mais provavelmente por seu sucessor otto
Goeller. Isto poderia ter sido feito por meio do Greyhound, possivelmente
preto, por causa da altura adicional, estamina e incrível velocidade inerentes
ao mesmo tempo
Muitas coisas, boas e ruins, já foram ditas sobre o
Dobermann, algumas vezes por ignorância, outras pela cegueira do amor. Tentemos
examinar o caráter dessa raça verdadeiramente grande, de modo que aqueles que
já conhecem os Dobermanns possam entendê-los melhor. Os proprietários de
Dobermanns já conhecem a lealdade fanática da raça, visível desde o momento em
que o filhote entra na sua casa. Ele adora andar no seu carro, dormir no seu
lar, correr no seu jardim, é brincalhão e toma conta de suas crianças. Pelo
menos é assim que você pensa. Pouco tempo depois, é você quem anda no carro
dele, ele lhe permite que desfrute de sua casa, brinca em seu próprio jardim e
protege as crinças que são dele. A você cabe apenas providenciar as amenidades.
É este senso de responsabilidades que leva o Dobermann a estimar a família, que
o transforma no maior cão de guarda do mundo. Talvez a característica mais
dominante da raça seja o sentido de alerta. Seus olhos, sua mente, sua ação e
aparência estão plenos dessa qualidade. Um senso de humor também é comum à
maioria dos Dobermanns. Muitos, inclusive, chegam a sorrir, quando estão bem
humorados. Outros costumam trazer presentes firmemente seguros na boca para seu
dono. O doberista Fred Curnow já comparou diversas vezes o Dobermann a um
cavalo puro sangue. Quando se vê a elegância, a graça, a dignidade, a força e o
balanceamento dessa raça, o paralelo torna-se óbvio. Incidentalmente, o
Dobermann, com sua linha definitiva, nobre e elegante, é atualmento um dos mais
lindos animais do planeta
Um Dobermann, por ser um cão de dissuasão, não é um valentão
insolente nem possui um caráter doloso, mas se for atacado por outro cão ou por
qualquer pessoa mal intencionada, então seu espírito de luta é imediatamente
acionado, em geral com maus resultados para seu oponente. Sempre em guarda
contra estranhos, ele, contudo, os aceita em sua casa, desde que acompanhados
por uma pessoa da família, mas sempre procurará manter uma vigilância discreta,
zelando para que nada ocorra. A estrutura do Dobermann favorece sua tremenda
força, a qual, aliada à sua grande inteligência e habilidade em rastreio,
transformam-no num cão de guarda e de polícia ideal.
Devotado companheiro da família, evoluiu durante os anos
para o prazer e benefício do homem. A fama do Dobermann nào convida a
intimidades: a rapidez de reflexos e a agilidade no ataque (versatilidade), sua
força, inteligência, alertidão e dignidade, são características que o
conduziram à galeria "RAÇAS CONSAGRADAS", ao mesmo tempo em que
serviu para forjar uma imagem distorcida sobre a sua verdadeira personalidade e
que hoje está totalmente desfeita: a de que o Dobermann ataca indistintamente.
Ao contrário, temperamento equilibrado e firme controle de nervos são traçados
de seu caráter que o recomendam como um cão dos mais desejáveis no mundo
inteiro. É desnecessário dizer que, ao menos que sinta amor e admiração pelos
animais, é um erro ter um cão, ou pior ainda, vários. Um cão de raça não é, de
modo algum, um símbolo de status; ele exige tempo e paciência e requer uma boa
dose de cuidados.